Mercado Cultural no Brasil e Pesquisa em Comunicação

(Immacolata V. de Lopes)

 

Neste livro, a autora procura reconstituir o processo histórico do desenvolvimento da comunicação no Brasil, promovendo também uma discussão em relação aos paradigmas que regem as pesquisas desse setor, enfatizando a necessidade da elaboração de novas  metodologias de pesquisa, uma vez que essas, segundo a autora, não acompanharam o ritmo dos estudos em si.

– A comunicação de massa no Brasil se expressa basicamente na constituição progressiva do campo simbólico como um sistema de relações de produção, circulação e consumo de besn culturais.

– Segundo a autora, o sistema capitalista atual organiza-se, culturalmente, a partir de uma cultura de massa. Essa por sua vez, envolve elementos da cultura popular e não popular, uma vez que é o público quem, através da recepção e capacidade de decisão, quem escolhe aquilo que deverá se popularizar ou não.

– O mercado cultural, no Brasil, foi constituído por intermédio ativo do Estado como instituição organizadora e pela influência hegemônica dos meios de comunicação de massa nas esferas social, política e econômica.

– Do período que vai desde a década de 1930 até a década de 1950 ocorreu no Brasil o “Processo Nacional de Desenvolvimento”, marcado pela intensa urbanização e industrialização do território nacional, além de movimentos sócio-culturais como o nacionalismo e o populismo. Nesse período os meios de comunicação de massa atuaram como introdutores de padrões de vida considerados modernos na sociedade (em sua maioria constituída por pessoas que moravam em áreas rurais e começavam a migrar para as cidades) e difusores de um estilo de vida urbano (socialização antecipada). Entretanto, ao mesmo tempo, agiram como aguçadores de tensões sociais na medida em que denunciavam as desigualdades existentes em virtude desse processo, contribuindo assim, para a consolidação do nacionalismo e do populismo.

– Já no período que vai de 1956 à 1985 ocorreu o “Processo Internacional de Desenvolvimento”, baseado em uma ideologia desenvolvimentista. Assim, houve a utilização de capital estrangeiro na tentativa de promover o desenvolvimento econômico do Brasil. Nesse período houve, de fato, a consolidação do mercado cultural nacional, em que a indústria cultural passou a ser um lugar privilegiado de comunicação entre o Estado e a sociedade.

– Embora adote padrões estrangeiros, a produção de bens culturais no Brasil tem apresentado crescente índice de nacionalização à medida que o mercado interno se expande, substituindo, assim, os produtos importados.

– Três paradigmas que regem as pesquisas de comunicação:

1) Funcionalismo de Durkheim – aborda a comunicação de modo funcional, centrando os estudos de recepção da informação a partir de um enfoque psicosociológico e psicolinguístico. Prega a inexistência de classes sociais, mas sim de grupos sociais.

2) Marxismo – baseada no materialismo dialético de Karl Marx, em que a comunicação é vista como um produto da relação entre as diferentes classes econômicas que compõem a sociedade. A escola de Frankfurt e Gramsci são influenciadas por esse paradigma.

3) Weberanismo – baseado na teoria da ação social de Weber, em que a ação de um indivíduo é dependente, ou seja, ela ocorre e é determinada em função das ações do outro.

– Immacolata alerta a necessidade de independência da industria cultural no Brasil em relação ao financiamento estrangeiro e de melhor adaptação dos paradigmas às condições socioeconômicas brasileiras.

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